Transcendência

            Heidegger perguntou: por que existe o ser e não o nada? E meu filho quando criança questionou: pai, por que existem coisas – mesas, cadeiras, pedras?… E eu acrescentaria: por que existimos nós? Qual é o sentido de estarmos aqui e agora?

            Como nos ensinou Orwell: o sentido da vida é estar vivo. Mas eu acrescentaria: estar vivo não é apenas estar respirando, mas é ter consciência de que somos, mesmo que não tenhamos claro quem somos. Em outras palavras, viver não é apenas não estar morto, mas construir-se na vida, edificando um ser que, além de ter percepções conscientes, consegue transcender o que percebe, transformando tudo o que toca, edificando o futuro em todo instante presente que melhora. E isto só é possível com sabedoria e amor.

            Sem amor o ambiente fica árido e nada floresce. Sem sabedoria a compreensão do mundo não melhora a vida, pelo contrário, destrói e mata. Assim, para que o universo se revele em todo o seu esplendor, é preciso abrir-se à paz e à contemplação silenciosa, pois é no vazio que o espírito voa.

            Tem sol, a sede e a fome estão saciadas, é confortável respirar o ar da manhã, enfim, a vida se fez leve e dadivosa. Queremos ser assim, plenos de bênçãos, agradecidos pela vida, vivos, para além de não estar morto, na eternidade do instante.

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1 Comment

  1. Tiago

    Amor ou amar, verbo com sentido pouco compreendido e muito banalizado. Então, o que realmente é amor?

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