Relato de Vida

Quando escutamos ou lemos relatos sobre a experiência de quase-morte, em geral aparece neles a narrativa de que, na transição da vida para o mundo do além, vemos nossa vida, do nascimento à morte, como num filme tridimensional, em que estamos em cena e ao mesmo tempo assistimos, como nos sonhos. E todos dizem que o foco não é o que fizemos, e sim a repercussão nos outros do que fizemos, e que pequenos gestos podem se revelar mais importantes que grandes feitos. Isto é interessante e deve ser levado em consideração quando pensamos em escrever nossa autobiografia, ou seja, pensar na repercussão nos outros equivale a pensar no público leitor. Para quem se escreve: para quem lê ou para nós mesmos? Escrever para nós mesmos é válido e extremamente transformador e importante, porque...

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A Superficialidade da Vida

Estou numa bifurcação de dimensões díspares mas coexistentes, dividido entre a profundidade de um olhar penetrante na verdade do mundo e das coisas, e a necessidade de dar conta de uma superficialidade cotidiana avassaladora. Talvez este dilema seja equivalente ao que surgiu com a civilização, ou seja, a divisão entre o trabalho braçal e o intelectual, ou ainda, como agora, o tempo dedicado às máquinas versus o tempo das relações humanas não intermediadas por tecnologias. É claro que o progresso tecnológico libertou o homem de um fazer extenuante e ampliou a nossa capacidade de realização. Mas o tempo adquirido pela aceleração dos processos não resultou num tempo de reflexão, meditação e paz. Pelo contrário, a ansiedade e a angústia do dia a dia equivalem a uma guerra contínua, com batalhas cotidianas sem perspectivas de...

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A Vida como Obra Inacabada

            Inspirado num sonho, vim por me dar conta que há duas maneiras básicas de encararmos a morte, quando ela advém na velhice, ao final de uma vida inteira. Novalis escreveu que “a filosofia é a preparação para a morte”. Assim, como filósofo, sempre me achei mais preparado que outros para tal evento, mesmo considerando o que diz a filosofia do Yoga clássico: que até os mais sábios vacilam na hora da morte. Ou seja, que ninguém está devidamente preparado para ela. Apesar disto, achava que a morte deveria ser considerada, no dizer poético de Saint Exupéry, “o fecho da abóboda” da catedral da vida, o coroamento de todas as vivências e aprendizados. Porém, nisto está suposto que a morte se daria como o acabamento de uma obra, o que é um modo básico...

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