Minhas Crenças

             Existem coisas que a ciência não explica. Como escreveu Wittgenstein: “mesmo que a ciência solucionasse todos os problemas, a minha vida continuaria sem solução”. Por isto existem os mitos, as filosofias e as religiões. Por isto existem as crenças, algumas oriundas de longas reflexões, mero palpite, ou profundas experiências subjetivas. Como vivi experiências místicas, coisas que a ciência não explica e a que a filosofia aceita, mas não explicita, é natural que tenha inúmeras crenças, que marcam minha maneira de viver e ver o mundo. Dentre estas, muitas são partes de teorias pouco difundidas, de visões de místicos ou são partes de doutrinas religiosas. Vamos citar algumas: Acredito que o estado natural de ser é a felicidade, nós, como animais, não podemos diferir essencialmente dos demais que, quando estão saudáveis e bem nutridos,...

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Crise e Mudança

             Sempre há algo que, depois de um tempo, começa a incomodar, provocando uma crise, ou seja, um momento de questionamento. A seguir vem a tomada de decisão, ou melhor, a obrigatória atitude de fazer algo que mude o quadro. Em consequência, mudamos o nosso em torno, a nós mesmos, ou ambos. Sempre a crise precede a mudança, portanto, é positiva, no sentido de romper estruturas arcaicas, já carcomidas, e de fazer nascer o novo, independentemente de como seja. É bom mudar, nem que seja para quebrar a monotonia da mesmice. Mas as grandes crises provocam rompimentos, atritos, desgaste, stress, loucura, depressão, ataques de fúria, enfim, possuem um alto custo, de modo que nem sempre estamos dispostos a pagar o preço. Nesta lista estão nascimento e morte, casamento e separação, divórcio, novo emprego, demissão,...

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O planeta Terra e os humanos

  Mantenho, um tanto a contragosto, um debate interno e com meus amigos, sobre se o mundo melhora ou piora. E, otimista que sempre fui, estou perdendo o debate para mim mesmo, já que estou, cada vez mais, me inclinando para o pessimismo. Porém, no fundo acho que este debate é descartável, porque não interessa se o mundo melhora ou piora, já que o bem e o mal se alternam no tempo, embaralhando as causas e as consequências. Não interessa para onde vamos, já que não sairemos do momento presente e de nossa atual circunstância. Importa sim é o que estamos fazendo hoje, agora e aqui. Eu, por exemplo, gostaria de melhorar o mundo e enriquecer o futuro dele, mas não contribuir para piorar as coisas já é uma contribuição importante. Considerando um planeta...

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Somos nosso inferno

Por que algumas pessoas não aprendem nada com a vida? Levam tombos, arrumam confusão, sofrem enormemente, e continuam iguais, cometendo os mesmos erros, e achando que os culpados são os outros. “O inferno são os outros” – escreveu Jean-Paul Sartre, talvez querendo dizer que os outros são realmente os culpados. Porém, segundo o meu entendimento, em geral as pessoas são as próprias culpadas de seus infortúnios. Com isto não estou ignorando que as escolhas erradas são, de alguma maneira, condicionadas pelas experiências passadas e pelo meio, ou seja, dependem em grande parte das condições de vida na infância. Mas não creio que o fator biológico (a herança genética) e o fator econômico sejam os mais determinantes de limitações de escolha. Acredito que pesam mais os fatores psicológicos e emocionais, porque uma família estruturada e...

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A Superficialidade da Vida

Estou numa bifurcação de dimensões díspares mas coexistentes, dividido entre a profundidade de um olhar penetrante na verdade do mundo e das coisas, e a necessidade de dar conta de uma superficialidade cotidiana avassaladora. Talvez este dilema seja equivalente ao que surgiu com a civilização, ou seja, a divisão entre o trabalho braçal e o intelectual, ou ainda, como agora, o tempo dedicado às máquinas versus o tempo das relações humanas não intermediadas por tecnologias. É claro que o progresso tecnológico libertou o homem de um fazer extenuante e ampliou a nossa capacidade de realização. Mas o tempo adquirido pela aceleração dos processos não resultou num tempo de reflexão, meditação e paz. Pelo contrário, a ansiedade e a angústia do dia a dia equivalem a uma guerra contínua, com batalhas cotidianas sem perspectivas de...

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O Véu de Maya

             Quando a filosofia Vedanta afirma que a existência material é uma ilusão, não o faz dizendo que a matéria não existe, e sim que não a vemos em sua verdadeira natureza. Não precisamos de filosofia ou religião para entendermos isto, porque a ciência nos explica de modo incontestável, ou melhor, o demonstra experimentalmente. A Mecânica Quântica descreve um mundo de partículas infinitesimais que se comportam aleatoriamente, mas que, se mostram num sistema ordenado e visível quando sob o nosso olhar. Assim sabemos que tal ou qual realidade é uma construção de nossa mente, ou melhor, que o real não se opõe ao ideal, porquanto as partículas “pensam”, em outras palavras, trocam informações, como nós. Assim, se em cada parte está o todo ou se o todo está em toda parte, isto significa que...

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Ser ou não-ser Eu

Costumamos viver como se soubéssemos quem somos, mas a simples pergunta – quem sou eu? – remete a uma parada súbita. Como disse o sábio Ramana Maharshi, a pergunta “quem sou eu?” estanca o processo pensante e esvazia a mente, porque o “eu” (ou ego) é a fonte de todos os pensamentos. O budismo dirá que o eu não existe, que ele é a raiz de todas as ilusões e apegos, que nascem das identidades. A identidade ao corpo se traduz na vontade de vivenciar estímulos sensoriais, sendo invadido pelo mundo, a realizar desejos que nos tragam deleite e satisfação. O drama é que os desejos irrealizados sobrevivem ao corpo morto e, para se esgotarem, retornam a um novo corpo físico, alimentando o ciclo das reencarnações. Somos causa e consequência de outros, mas não...

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A Memória do Futuro

            Ontem assisti ao filme “A Chegada”, que trata de alienígenas que chegam à Terra, e do esforço de comunicação entre eles e os humanos. Por trás da história está a visão da filosofia da linguagem de que a língua não é apenas um meio de expressão, mas um modo de pensar e de acessar a realidade ou verdade. Em outras palavras, de que o pensar é linguístico e, como escreveu Wittgenstein, “os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo”. Mas o filme também trata da clarividência acerca do futuro, pois comunicar-se com tais alienígenas significa, na história ficcionada, também adquirir a capacidade de “ver” o próprio futuro.             Sempre acreditei de que existe uma memória do futuro, assim como há uma memória do passado, só que não logramos acessar a...

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Sobre os absurdos do mundo e de nós mesmos...

            Parece simples viver e tocar a vida, por mais que tropeços e dificuldades se apresentem. É só não deixar a manada e reproduzir o comportamento padrão. Mas quando tentamos ser nós mesmos, originais, o céu desaba sobre nossas cabeças. E quando tentamos compreender o incompreensível, e saber por que o ser humano é tão animal enquanto humano, percebemos que o ato de existir, em si, é um absurdo. Que significado tem nascermos gente num universo em que a vida primitiva é banal, mas a vida inteligente é rara? Que significa sermos os questionadores do porquê de tudo? Enfim, que sentido tem não encontrarmos sentido em nascer e morrer, como se este hiato de existência fosse a coisa mais importante do universo, quando sabemos não sermos nada, ou sermos menos que isto?             É só...

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A Derrota das Esquerdas

             O Brasil está seguindo uma tendência latino-americana de guinada à direita. Nas últimas eleições municipais erraram os petistas, como Lula, que achavam que o PT seria bem votado, em função dos baixos índices de aprovação do Temer. Mas também erraram os que pensaram que outros partidos à esquerda seriam herdeiros dos antigos votos petistas, agora perdidos com o desgaste do Mensalão, da Lava-Jato e da crise econômica do Governo Dilma. O PSol, a Rede, o PC do B, o PSB e outros não se mostraram aptos e fortes em receber tais votos. E, em consequência, ganhou a direita neoliberal, os conservadores e os liberais progressistas, com o PSDB, o PMDB, o PRB, o PP, o DEM, o PSD e outros. Com isso, ganhou o Governo Temer, que indiretamente legitimou nas urnas o impeachment...

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Considerações sobre o evolucionismo...

            Santo Agostinho foi precursor de Darwin quando, séculos antes, defendeu que o mundo não é perfeito porque a Criação ainda estava em curso, e que, portanto, dia a dia melhoraríamos até chegar à perfeição. Charles Darwin com sua obra “A Origem das Espécies” demonstrou que os seres vivos evoluem devido à sobrevivência dos mais aptos (e não dos mais fortes), ou seja, existe uma espécie de seleção natural. Mas em Darwin o evolucionismo não é teleológico, não se encaminha em direção a um ponto, como em Teilhard de Chardin com seu Ponto Ômega. Em outras palavras, espécies desaparecem porque a seleção natural supõe o ensaio e o erro, ou seja, alguns ramos ou trilhas evolucionistas não dão certo devido a fatores ambientais, genéticos, dos indivíduos ou das espécies.             Assim, quando no Espiritismo,...

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Sobre o Perdão

             O nosso instinto de sobrevivência faz com que nos tornemos agressivos para nos defendermos, e guarda em nossa memória, acionada sempre que haja perigo, todos os episódios e pessoas (ou animais) que alguma vez já nos ameaçaram ou agrediram. Isto faz com que tenhamos uma imensa dificuldade de perdoar, o perdão verdadeiro, quando em nosso coração não há mais nenhum resquício de ódio, ressentimento ou mágoa. O cristianismo ensina a amar e a perdoar (setenta vezes sete), pois sem perdão não poderia existir o amor. Porém, perdoar não é engolir imensos sapos e levar desaforo para casa. No momento da agressão podemos nos defender no ato, e depois, perdoar a agressão, já que aceitar toda e qualquer ofensa passivamente é uma forma de acomodação ou fraqueza. E, como escreveu Gandhi, quem me agride com...

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Há um tempo para cada coisa

            O inverno este ano foi rigoroso, mas agora estão já tendo dias mais amenos. É a primavera que aponta sua cara. E depois vem o verão, e depois dele, novamente o inverno. E assim o ano se foi, e os anos passam, por ciclos que se repetem até que passemos deles.             Já viajei de modo a viver três invernos no período de apenas um ano: ah, que saudade do calor e da praia! Teria sido bem melhor ter tido três verões num mesmo ano. Sempre gostei de frio, e da estética do frio, de que fala o nosso músico Victor Ramil. Mas agora as coisas estão mudando, ou melhor, eu estou envelhecendo, e os velhos sofrem muito no clima frio. Daí ter passado a amar os verões, é claro, com ar condicionado...

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Uma historinha Zen

            Este texto está sendo escrito a pedido de minha esposa e companheira, e irá tratar de uma historinha Zen, que diz da paz e do conhecimento. É assim:             No início existe a santa paz da ignorância, em que as árvores são árvores, as montanhas são montanhas e o céu é céu, ou seja, cada coisa é o que é, sem complicações, teorias, crenças ou fantasias. Quando se adquire o conhecimento, perde-se a paz, e as coisas deixam de ser o que são. O céu vira um espaço-tempo curvo, negro, devido à expansão das galáxias ou ao buraco negro hipotético e hipergigantesco que seria o nosso universo. O sol se transforma numa estrela de quinta grandeza, amarela, que emite neutrinos, que existe num braço marginal da Via-Láctea, a 15 mil, anos-luz do plano...

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O Eterno Feminino

                Como avançamos em nossa democracia e nos direitos humanos, todos temos de nos ater, por mandato de consciência, ao politicamente correto, o que inclui a admissibilidade da igualdade plena de direitos entre homens e mulheres. Entretanto, isto não exclui a constatação científica e popular de que homens e mulheres são seres diferentes em seus modos de sentir, pensar e ver o mundo. E, mesmo sabendo que toda e qualquer generalização é prematura e desviante da verdade universal, mesmo admitindo que existem homens e mulheres que se assemelham em seus modos de sentir e pensar ao seu gênero oposto, pode-se dizer que predominam as diferenças entre um e outro. Vejam, escrevo diferenças, mas sem incluir nenhuma noção de hierarquia entre um modo e outro de ser, simplesmente os gêneros são diferentes porque seus cérebros...

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O Egoísmo do Sujeito

            Jean-Paul Sartre retoma a ideia de Edmund Husserl de que “toda consciência é consciência de alguma coisa”, afirmando que a consciência é, em si, o não-objeto, um vazio, um nada. Para Sartre, do mesmo modo o sujeito é somente frente a um objeto ou a um outro sujeito. Porém, os outros não são sujeitos, são tomados por mim como objetos, são meros objetos de meus interesses, conhecimento e intenções. Assim, somos uns dos outros meros objetos, o homem coisifica o próprio homem.             Entretanto, deste modo pode-se concluir que o sujeito em si não existe, ser alguém supõe ser por outros ou para outros, ser reconhecido ou reconhecer-se como tal. Este existir para supõe intencionalidade, no dizer de Husserl, ou implica em desejos, na visão de Freud. Para o pai da Psicanálise o...

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Transcendência

            Heidegger perguntou: por que existe o ser e não o nada? E meu filho quando criança questionou: pai, por que existem coisas – mesas, cadeiras, pedras?… E eu acrescentaria: por que existimos nós? Qual é o sentido de estarmos aqui e agora?             Como nos ensinou Orwell: o sentido da vida é estar vivo. Mas eu acrescentaria: estar vivo não é apenas estar respirando, mas é ter consciência de que somos, mesmo que não tenhamos claro quem somos. Em outras palavras, viver não é apenas não estar morto, mas construir-se na vida, edificando um ser que, além de ter percepções conscientes, consegue transcender o que percebe, transformando tudo o que toca, edificando o futuro em todo instante presente que melhora. E isto só é possível com sabedoria e amor.             Sem amor o...

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A Vida como Obra Inacabada

            Inspirado num sonho, vim por me dar conta que há duas maneiras básicas de encararmos a morte, quando ela advém na velhice, ao final de uma vida inteira. Novalis escreveu que “a filosofia é a preparação para a morte”. Assim, como filósofo, sempre me achei mais preparado que outros para tal evento, mesmo considerando o que diz a filosofia do Yoga clássico: que até os mais sábios vacilam na hora da morte. Ou seja, que ninguém está devidamente preparado para ela. Apesar disto, achava que a morte deveria ser considerada, no dizer poético de Saint Exupéry, “o fecho da abóboda” da catedral da vida, o coroamento de todas as vivências e aprendizados. Porém, nisto está suposto que a morte se daria como o acabamento de uma obra, o que é um modo básico...

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Ame-o ou deixe-o

            Na época da ditadura militar o Governo propagandeava – ame-o ou deixe-o – incentivando os descontentes a irem para o exílio e, de modo enganoso, associando o nacionalismo e patriotismo ao endosso ao regime autoritário. Hoje poderíamos resgatar a mesma opção num outro espírito. E, quando penso no amor que tenho por meu país percebo que se fundamenta na vontade de fazê-lo melhor e não de aceitá-lo como é. Mas, cada vez mais me convenço de que ou o amo como é ou desisto dele, porque hoje descreio de que ele possa lograr se fazer melhor de maneira significativa em médio prazo. Considerando as nossas elites e os nossos dirigentes, certamente podemos mudar para pior, e não melhor.             A campanha eleitoral de 2014 foi um estelionato eleitoral, pois se prometeu o que...

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Sobre a Esperança

            Diz-se que a esperança é a última que morre, só que morre junto ou antes de quem a tinha.  Ter esperança é saber esperar, mas quando se espera e de nada adianta, e ficamos sem receber o esperado, é claro que a desesperança toma conta. Mas ter esperança pode ser também não ficar esperando, e sim ir atrás do prejuízo, tentando resolver as coisas, e esta atitude ativa traz melhores resultados, mesmo que se esgote quando damos murros em ponta de faca.                 Vivemos no país e em nosso Estado momentos difíceis, poucas vezes crises econômicas aparecem conjugadas com crises políticas e morais. Isto de um lado poderia trazer esperanças de mudança, mas a crise é tão profunda que a maioria de nós não vê perspectivas, pois as alternativas que se desenham não...

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