Sobre a saudade e a distância

Faz tempo li sobre a relação entre mães e filhos em Roma, na Itália, de como os filhos ou moram com as mães, ou o contrário, ou moram próximo, mesmo prédio ou rua ou bairro, e que os que moram longe falam-se ao telefone diariamente. Neste raciocínio diria que, cada vez mais, com a globalização, as distâncias físicas aumentam enquanto a comunicação, via novas tecnologias, encurtam a distância entre as pessoas. Mas, infelizmente, a proximidade comunicativa não substitui nem é igual à proximidade física. Acabei de retornar de uma viagem longa, na qual reencontrei meu filho, nora e netos. Isto que antigamente era extraordinário hoje é banal. Com a globalização e a facilidade e barateamento das viagens, é comum que pais tenham filhos vivendo em diferentes países e latitudes. Mas, como afirmei acima, hoje...

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Sobre o Frio

            Vivemos num país tropical, mas no extremo sul, num clima temperado, capaz de produzir variações extremas de temperatura num mesmo dia. É positivo viver numa cidade que tem quatro estações bem definidas, o problema é habitar e trabalhar em prédios não aptos a nos dar conforto térmico. No inverno, por exemplo, mesmo em cidades da região serrana, como Caxias do Sul, são raros os prédios e locais com calefação. Lá estudantes universitários e operários metalúrgicos congelam em salas de aula e pavilhões industriais sem ar condicionado ou calefação. E mesmo quem tem splits pela casa toda, não desperdiça energia ligando todos ao mesmo tempo, o que faz com que a troca de ambiente (do quarto à sala e desta à cozinha, por exemplo) seja uma troca instantânea de estação. Assim, vivendo choques térmicos...

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O Mundo dos Sonhos

            Quando Freud publicou sua “Interpretação dos sonhos”, fez um levantamento comentado de tudo o que havia sido escrito sobre o tema até então, para depois acrescentar sua teoria, que viria a servir de base a outras interpretações. Particularmente prefiro a interpretação de Carl Gustav Jung, pois sei que os símbolos que aparecem em sonho não são apenas um disfarce de algo que está atrás, mas possuem significados em si mesmos. Sei também que o inconsciente é mais rico e vasto do que a psicanálise ortodoxa faz supor, e minhas noites com sonhos são uma prova disto. Apesar do que, Freud tinha razão ao demonstrar que a imensa maioria dos sonhos são meros reflexos de momentos do dia, quando estávamos em vigília, e vimos imagens, pensamos coisas, escutamos vozes e seus significados, de modo...

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Olhos nos Olhos

            Quando a minha cadela maltês me olha, com seus olhos negros e tristes, ficamos os dois, olho no olho, tentando entender o que cada um está pensando. O olhar penetra e acentua a questão da comunicação. Mas considerando que um cão é um ser animal, movido por instintos, sua capacidade de pensar deve ser restrita a questões essenciais e comandos básicos, como, por exemplo: será que ele vai devolver o osso que tirou de mim? Será que vai me levar para passear? Eu quero comida! Será mesmo que os cães, satisfeitas as necessidades básicas, estão felizes? Se isto é assim, por que nós, os humanos, que somos supostamente mais inteligentes, não conseguimos ser felizes nas mesmas circunstâncias? Há também a hipótese de que os cães sintam como nós humanos, ou seja, tenham momentos...

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A Experiência do Fracasso

            A Copa da FIFA no Brasil foi um sucesso enquanto o futebol brasileiro amargou um rotundo fracasso. É claro que a seleção brasileira chegar às semifinais é uma façanha em si, que pode ser considerada como um sucesso. E mesmo perder alguma partida e sair da Copa faz parte do jogo. Só não faz parte do espetáculo o humilhante vexame de levar sete a um. Discordo de que seja inexplicável, até podemos escolher as explicações, que tampouco necessitam ser de técnica futebolística. Como já foi dito, os jogadores brasileiros desabaram ao levar os dois primeiros gols, como se levar gol e perder não fizesse parte das probabilidades e, com o apagão que se seguiu, conseguiram levar mais cinco gols fazendo apenas um, resultado de times de várzea, protagonizando o maior fiasco da história...

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As ruas no Brasil de hoje

            Fiquei maravilhado de ver multidões saírem às ruas em 2013, mobilizadas, pedindo mudanças e dizendo basta. Mas meu maravilhamento não durou muito. Logo minorias de vândalos transformaram as ruas em campos de batalha entre as forças de segurança e os baderneiros, afugentando as massas pacíficas que queriam manifestar-se em segurança, sem risco de cheirar gás, spray de pimenta, levar bala de borracha, cacetada, e ser preso. Assim, o que poderia ter resultado em grandes avanços, esvaiu-se em pó.             Mas as minorias barulhentas continuaram nas ruas, mascaradas ou não, continuaram depredando patrimônio público e privado, incendiando viaturas e ônibus, quebrando trens, bancos, lojas, bancas de revista, veículos da imprensa, interrompendo o trânsito, fechando estradas, enfim, transformando o dia-a-dia do cidadão comum numa via-crucis, penalizando principalmente os mais pobres.             Hoje, somou-se ao movimento...

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Stress no Trânsito

             Este texto é o desabafo de quem não aguenta mais a falta de educação no trânsito. Há uma década, falar de trânsito, sob o ponto de vista de quem tinha carro, soava elitista. Hoje todos os têm, o porteiro de meu prédio, a filha de minha empregada doméstica e a ascensorista do edifício em que trabalho. Mas não são os crescentes índices de motorizados a causa de meu stress no trânsito, e sim a falta de educação de seus envolvidos.             Começando pelos pedestres, eles atravessam no meio das quadras e não nas esquinas, se enfiam por entre os carros, de modo que, de repente, surge um em frente ao seu carro. Os que atravessam nas esquinas, o fazem em diagonal e, muitas vezes, absurdamente distraídos, sem sequer olhar os veículos, simplesmente atravessam...

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O que um cão nos ensina

             Após relutar por anos, eu e minha esposa optamos por adotar uma cadelinha maltês. Deixando de lado o seu aspecto fofo, de “bola de pelos”, vi que conviver com seres vivos, compartilhando espaços, é um grande desafio, e enfrentá-lo traz grande aprendizado. Como filhote ela está descobrindo o mundo e brincando com tudo e a todo momento, ao mesmo tempo em que necessita ser educada.               1º desafio: lidar com o seu lado instintivo, de agredir ou fugir quando se sente ameaçada, e protestar quando se sente presa. É difícil condicioná-la a fazer necessidades no lugar adequado, não morder cordões de sapatos e barras de vestido e calças, não afiar seus dentes nos móveis, ficar calma em seus deslocamentos de carro, e aquietar-se para dormir quando chega a hora. O seu instinto de...

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