Repensando o Budismo

Desde a minha adolescência, em diferentes períodos de minha vida, estive em contato com o Budismo. Sempre pensei ser o Budismo a filosofia religiosa mais próxima de minha visão da vida e de mundo. Nunca me considerei budista, por não possuir as três joias (Buda, Dharma e Sangha), ou seja, seguir um Mestre, conhecer a doutrina e praticá-la junto a uma comunidade budista. E, apesar de conhecer o Dharma (a doutrina) em suas linhas básicas, nunca me associei a um Mestre, me entreguei a uma prática disciplinada ou me integrei a uma comunidade. Mas, mesmo assim, no meu coração me considerava budista. Porém, agora, vejo que tenho concepções distintas da visão budista em alguns aspectos, como se sentisse a necessidade de “modernizar” a doutrina ou mesmo de adaptá-la ao meu ponto de vista. Mas...

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O Controle da Raiva

Vivemos tempos de discórdia, em que a violência aumenta no mesmo nível em que aumentam a radicalização e a incapacidade de diálogo. Daí ser pertinente pensar na prática budista que prega o adaptar-se às circunstâncias e o não responder a elas pela raiva. O mestre Bodidharma afirma que todos deveriam aceitar os acontecimentos nefastos sem reclamar de injustiça, considerando que não sabemos que karma trazemos do passado, ou melhor, que ações fizemos que produziram os frutos que estamos colhendo agora. Concordo de que é aconselhável não se perturbar com as adversidades, porém, discordo da visão de que estamos aqui para purgar culpas, e que a melhor resposta seria a aceitação, o que daria à Marx razão quando afirma que “a religião é o ópio do povo”. Até podemos estar colhendo erros do passado, mas...

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Ser ou não-ser Eu

Costumamos viver como se soubéssemos quem somos, mas a simples pergunta – quem sou eu? – remete a uma parada súbita. Como disse o sábio Ramana Maharshi, a pergunta “quem sou eu?” estanca o processo pensante e esvazia a mente, porque o “eu” (ou ego) é a fonte de todos os pensamentos. O budismo dirá que o eu não existe, que ele é a raiz de todas as ilusões e apegos, que nascem das identidades. A identidade ao corpo se traduz na vontade de vivenciar estímulos sensoriais, sendo invadido pelo mundo, a realizar desejos que nos tragam deleite e satisfação. O drama é que os desejos irrealizados sobrevivem ao corpo morto e, para se esgotarem, retornam a um novo corpo físico, alimentando o ciclo das reencarnações. Somos causa e consequência de outros, mas não...

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Como lavar banheiros

            Eu era um mero adolescente tentando descobrir quem era quando conheci um monge japonês chamado Tokuda, que tinha vindo ao Brasil para divulgar o Zen Budismo. Ele na época ministrou uma palestra que jamais esqueci, sobre como lavar banheiros. Informou ele que na tradição budista japonesa era uma honra lavar banheiros, porque segundo a história, muitos mestres Zen haviam atingido a iluminação (satori) lavando banheiros. Quando lavamos banheiros, se for o caso de o fizermos, tendemos a fazer com desagrado, com repulsa e mal-estar, quando não com mau humor. Ou fazemos cantarolando uma música, ou seja, colocando a consciência noutra coisa, de modo a fugir do momento presente e sua tarefa de asseio. Daí que lavar banheiros sem nojo, considerando-a uma tarefa nobre e importante, feita com concentração mental, de modo que possamos...

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