Somos nosso inferno

Por que algumas pessoas não aprendem nada com a vida? Levam tombos, arrumam confusão, sofrem enormemente, e continuam iguais, cometendo os mesmos erros, e achando que os culpados são os outros. “O inferno são os outros” – escreveu Jean-Paul Sartre, talvez querendo dizer que os outros são realmente os culpados. Porém, segundo o meu entendimento, em geral as pessoas são as próprias culpadas de seus infortúnios. Com isto não estou ignorando que as escolhas erradas são, de alguma maneira, condicionadas pelas experiências passadas e pelo meio, ou seja, dependem em grande parte das condições de vida na infância. Mas não creio que o fator biológico (a herança genética) e o fator econômico sejam os mais determinantes de limitações de escolha. Acredito que pesam mais os fatores psicológicos e emocionais, porque uma família estruturada e...

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Ser ou não-ser Eu

Costumamos viver como se soubéssemos quem somos, mas a simples pergunta – quem sou eu? – remete a uma parada súbita. Como disse o sábio Ramana Maharshi, a pergunta “quem sou eu?” estanca o processo pensante e esvazia a mente, porque o “eu” (ou ego) é a fonte de todos os pensamentos. O budismo dirá que o eu não existe, que ele é a raiz de todas as ilusões e apegos, que nascem das identidades. A identidade ao corpo se traduz na vontade de vivenciar estímulos sensoriais, sendo invadido pelo mundo, a realizar desejos que nos tragam deleite e satisfação. O drama é que os desejos irrealizados sobrevivem ao corpo morto e, para se esgotarem, retornam a um novo corpo físico, alimentando o ciclo das reencarnações. Somos causa e consequência de outros, mas não...

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