Sobre a perda da verdade

Em um mundo em que predomina a mentira, o ódio, os abismos sociais e a destruição da natureza, sobra pouco espaço para o otimismo. Não que não tenhamos avançado em muitos aspectos que nos faziam sorrir esperançosos, mas o fato de que os avanços venham encontrando recuos e retrocessos nos fazem franzir a testa, quando não chorar desesperados. Afinal, se não garantirmos melhoras para o futuro, em que mundo viverão nossos netos?

É claro que o amor não é manchete e que a mídia propaga mais as notícias aterradoras. Mas a piora não é só na qualidade, como também na quantidade, a violência, a crueldade e o genocídio volta e meia se tornam corriqueiros. E no cotidiano tende cada vez mais a imperar a discriminação, o preconceito e o atraso. As ilhas conservadoras não se querem mais ilhas, querem impor sua agenda ao todo, como se uma minoria pudesse ser dona da verdade e querer faze-la universal.

De outro lado, há uma deterioração clara dos valores que se julgava perenes, sem que novos valores possam substituí-los. Assim, é como se as instituições perdessem respaldo e a própria noção de poder e controle se esvaziassem. Daí que muitas vezes da crise brota o caos, sem que parâmetros fantásticos que embasam nossa civilização, como democracia, vontade livre do povo e organização da sociedade, perdessem significado.

Votar deixou de ser um ato racional e livre, já que com as novas tecnologias de comunicação a falsidade e a manipulação da informação se tornaram a regra, como se crimes pudessem ser feitos à luz do dia, sem possibilidade de rastreamento e investigação, já que o acesso nacional e soberano às grandes empresas multinacionais inexiste, de nada adiantando o apelo de parlamentos e de vozes representativas no conjunto das nações. Tornou-se regra a manipulação estrangeira de eleições pseudo livres, segundo os interesses escusos de governos autoritários. Daí que, ser democrata e lúcido virou uma impotência manietada.

Só com boa vontade e união de todos os ponderados poderemos esperar lograr avanços na manutenção dos valores civilizatórios e na recuperação de uma prática política sem vícios e sem ações deliberadamente criminosas. Afinal, se o povo não pode mais escolher livremente seu futuro e seus governantes, que poderemos esperar dos contextos em que estamos imersos, sem perspectivas de saída?

Só nos cabe continuar investigando as ações escusas executadas nas sombras da internet, denunciando os crimes que são feitos em silêncio, trazendo à tona o que está acobertado, de modo a que possamos voltar a ter esperanças de um mundo melhor, e de um futuro feliz em que possam viver nossos netos.

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