Ser ou Não-Ser

 

Vivemos sempre como se fôssemos o centro do universo. Nosso ego é algo que nos faz maus, porque somos egocêntricos e egoístas, o que nos faz considerar os outros como secundários. E quanto mais distância econômica, cultural e social, mais indiferentes ou avessos nos tornamos aos que nos são diferentes. Os que professam outras crenças, e ideologias, os que possuem outra opção sexual ou identidade de gênero, os que falam outras línguas ou nasceram com outra cor de pele, enfim, tudo e qualquer coisa nos afasta do outro, nos impedindo de sermos altruístas, desapegados e amorosos. O nosso ego dificulta em nós o sermos humildes, reverentes e gratos. E quando somos obrigados a prestar culto a algo, reconhecendo alguém maior que nós, tendemos a não saber fazer prostrações ou dobrar os joelhos.

É claro que não nos cabe a submissão do escravo, afinal, amor próprio e uma boa autoestima podem não coexistirem com o egoísmo. Assim, vergar o ego supõe sabedoria para chegar ao reconhecimento sem submissão, à humildade sem fraqueza, e à gratidão por pura consciência da verdade.

Mas se existimos nos supondo e sentindo o centro, isto não nos impede que a periferia nos afete. Afinal, tudo o que acontece pode nos afetar sem que logremos qualquer controle dos eventos. Mas, podemos ao menos controlar nossas crenças e reações, o que já nos permite um destino auto escolhido.

Que mundo herdará as próximas gerações? O planeta realmente esgotará seus recursos? Uma guerra se espraiará até novamente abranger todas as nações e se tornar mundial? Que missão nos cabe diante das circunstâncias presentes?

Às vezes penso, como os budistas, que viver é simples, basta respirar e estar atento a cada momento, sem desejos, aspirações ou pretensões absurdas. Ser feliz é estar vivo e saudável, de bem com o mundo, na sintonia dos outros e aberto às transformações da impermanência.

Gostaria de apenas ser, sem o desgaste do bom ou do ruim, do certo e do errado. Ser como uma flor ou uma pedra, cujo sentido está em si, sem nenhum acréscimo. Quisera ser como se não fora, pois não-ser é a grande escolha, já que não percebemos que o universo não foi feito para nós, e que a verdade se esconde de nós enquanto múltipla e inacessível em sua plenitude.

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