Sacrifício e Amor

            Na grande maioria dos textos antigos amar significa sacrificar-se pelo ser amado. Hoje, em nossa sociedade pós-moderna, somos todos individualistas e hedonistas, ou seja, pensamos primeiro em nosso próprio umbigo, e não queremos ralar ou sofrer: o outro que se dane, “faça a fila andar”, amar é um tipo de narcisismo.

            É claro que não podemos amar alguém que nos faça mal, pois é saudável que tenhamos amor próprio, afastando de nós a paixão doentia que, quando alimentada, faz com que nos odiemos. Porém, o amor verdadeiro, seja cristão ou budista, implica em compaixão, em sintonia fina com os outros, de modo que nos faça solidários e caridosos. Se vejo alguém sofrer, sofrerei junto, se faço alguém feliz, serei feliz com ele ou ela. Daí que o verdadeiro amor é sábio, enquanto o ódio é ignorante e insano. Assim, sacrificar-se pelo outro é só um modo de entrega, é fazer a outrem além do que possa ser esperado de nós.

            Sacrificar-se é ir além do egoísmo, é sair de si, da concha, abrindo o coração sem cartas na manga, sem mentiras ou escondimentos. Este tipo de amor está rareando mas, felizmente, não desaparecerá, no mínimo sobrevive na entrega das mães a seus bebês e na abnegação das pessoas com seus animais de estimação. Em suma, amar como sacrifício é amar sem esperar recompensas, sem cobrar do outro como de devedores, é apenas ser credor no céu, ou se preferirem, na matemática da vida, feita de gestos, atos e intenções.

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