Política e Asco

A política, que sempre me foi uma paixão, hoje me dá asco. Tento ver e ouvir notícias para me sentir atualizado, mas elas me fazem mal. Como pode Trump ser presidente dos EUA? Como pode o chavismo ter ganho as eleições na Venezuela? Como pode Temer ser ainda o presidente do Brasil? E quando vemos o discurso e as ações de nossos senadores e deputados, parece que temos não representantes nossos, e sim políticos que representam apenas e exclusivamente os seus interesses pessoais e escusos, sem nenhum respeito pela coisa pública. Mas quando pensamos na justiça como uma saída, vemos que os nossos juízes, no geral, não são completamente diferentes. A primeira decisão do Conselho Nacional de Justiça foi aumentar os proventos de seus próprios integrantes. O Tribunal Superior Eleitoral conseguiu inocentar a chapa...

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A Superficialidade da Vida

Estou numa bifurcação de dimensões díspares mas coexistentes, dividido entre a profundidade de um olhar penetrante na verdade do mundo e das coisas, e a necessidade de dar conta de uma superficialidade cotidiana avassaladora. Talvez este dilema seja equivalente ao que surgiu com a civilização, ou seja, a divisão entre o trabalho braçal e o intelectual, ou ainda, como agora, o tempo dedicado às máquinas versus o tempo das relações humanas não intermediadas por tecnologias. É claro que o progresso tecnológico libertou o homem de um fazer extenuante e ampliou a nossa capacidade de realização. Mas o tempo adquirido pela aceleração dos processos não resultou num tempo de reflexão, meditação e paz. Pelo contrário, a ansiedade e a angústia do dia a dia equivalem a uma guerra contínua, com batalhas cotidianas sem perspectivas de...

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Sobre a Criação Literária

Houve um tempo em que minha autenticidade natural de ser extravasava-se em forma de literatura. Apenas isto: literatura. Por que seria necessário outro rótulo? Foi-se o tempo em que me importava com o que diziam de mim ou do que fazia, hoje já não me iludo com especialistas e concursos literários. Sei que escrevo com absoluta honestidade intelectual e sinceridade criadora, e mesmo que não seja lido, não poderia deixar de escrever o que escrevo e da maneira que escrevo. A literatura em mim é uma questão de sobrevivência subjetiva e não uma questão de reconhecimento público. Eu acredito naquilo que penso, vejo e sinto, e abdicar de expressar o que me vem de dentro me faria enlouquecer ou até matar-me: eu sou minha referência essencial. O problema da criação literária é sua solidão...

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O Véu de Maya

             Quando a filosofia Vedanta afirma que a existência material é uma ilusão, não o faz dizendo que a matéria não existe, e sim que não a vemos em sua verdadeira natureza. Não precisamos de filosofia ou religião para entendermos isto, porque a ciência nos explica de modo incontestável, ou melhor, o demonstra experimentalmente. A Mecânica Quântica descreve um mundo de partículas infinitesimais que se comportam aleatoriamente, mas que, se mostram num sistema ordenado e visível quando sob o nosso olhar. Assim sabemos que tal ou qual realidade é uma construção de nossa mente, ou melhor, que o real não se opõe ao ideal, porquanto as partículas “pensam”, em outras palavras, trocam informações, como nós. Assim, se em cada parte está o todo ou se o todo está em toda parte, isto significa que...

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Ser ou não-ser Eu

Costumamos viver como se soubéssemos quem somos, mas a simples pergunta – quem sou eu? – remete a uma parada súbita. Como disse o sábio Ramana Maharshi, a pergunta “quem sou eu?” estanca o processo pensante e esvazia a mente, porque o “eu” (ou ego) é a fonte de todos os pensamentos. O budismo dirá que o eu não existe, que ele é a raiz de todas as ilusões e apegos, que nascem das identidades. A identidade ao corpo se traduz na vontade de vivenciar estímulos sensoriais, sendo invadido pelo mundo, a realizar desejos que nos tragam deleite e satisfação. O drama é que os desejos irrealizados sobrevivem ao corpo morto e, para se esgotarem, retornam a um novo corpo físico, alimentando o ciclo das reencarnações. Somos causa e consequência de outros, mas não...

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Fora Temer!

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, divergindo de seu partido, que permanece em cima do muro defendendo o indefensável presidente Temer, concedeu entrevistas defendendo eleições diretas. E, como ele, também mudarei de ideia, e passarei a defender, a partir de agora, eleições diretas para presidente. Estou ciente que isto implica em mudar a Constituição, e que os prazos atuais em vigor não permitiriam que tal se desse em curto prazo, mas quando há vontade política pode-se alterar rapidamente as leis. Posicionei-me anteriormente contra as eleições diretas, não por não serem a nossa melhor saída, mas porque achava ruim alterar a Constituição por questões casuísticas, entendia que isto passaria ao exterior uma imagem negativa de nosso país, que destituiu uma presidente democraticamente eleita num processo de impeachment complexo e obscuro, e tiraria o seu substituto alterando a...

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