Os extremos se tocam

Diz uma conhecida e antiga máxima: “os extremos se tocam”. E eu prefiro dizer: os opostos extremos se assemelham. E isto fica muito claro no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, neste ano de 2018.

Quando pensamos historicamente, vemos que a arte produzida pelo comunismo soviético após 1919, e os regimes fascista na Itália e nazista na Alemanha antes da 2ª guerra mundial eram muito assemelhados. Tanto o comunismo marxista quanto o nazi-fascismo defendem regimes ditatoriais; possuem inimigos internos (os burgueses para os comunistas e os judeus para os nazistas); perseguem, prendem e matam opositores; discriminam negros, ciganos, deficientes físicos, estrangeiros e homossexuais; prestam culto à personalidade de seus líderes; censuram a livre expressão da opinião, a imprensa, a liberdade de reunião e de ir e vir. A ditadura de Franco na Espanha e a de Mussolini na Itália fizeram pactos com a Igreja, pois as religiões são em geral conservadoras, e aprovam regimes que reprimem a liberdade dos costumes.

No Brasil não é diferente. Lula buscou apoio dos evangélicos, assim como Bolsonaro, apoiado pelo bispo Edir Macedo. Os seguidores de Lula e Bolsonaro possuem práticas e discursos extremamente semelhantes: idolatram seus líderes, vistos como pais da nação e salvadores da pátria; odeiam seus inimigos e expressam isto numa linguagem violenta, que circula na internet, denegrindo, inclusive com Fake News, seus adversários; a ponto de Bolsonaro ter levado uma facada de um militante de esquerda, e de um bolsonarista ter esfaqueado e matado, na Bahia, um petista que se recusava a votar em Bolsonaro. Tanto o PT quanto o PSL defendem ditaduras, o PT defende Cuba e o regime venezuelano, e o PSL de Bolsonaro defende o regime militar brasileiro pós-1964. O vice de Bolsonaro fez declarações defendendo um autogolpe presidencial e uma nova Constituição feita por escolhidos do rei, o que é descaradamente a defesa de um regime ditatorial golpista, felizmente (não se sabe se para valer) Bolsonaro não assinou em baixo. Lula favoreceu seus filhos com esquemas de corrupção, e Bolsonaro favoreceu seus filhos politicamente, ambos apoiam e ajudam os seus seguidores e familiares.

Tanto Lula e o PT quanto Bolsonaro “se acham”. Lula dizia: “nunca antes neste país”, como se ele tivesse inventado o Brasil, e Bolsonaro, em entrevista à Globo ao início do 2º turno eleitoral, declarou “eu sou o presidente”, como se ele já tivesse sido eleito. Haddad declarou ao final do 1º turno que candidatos que ficaram fora do 2º turno o estavam procurando. Não passou pela cabeça dele que caberia a ele procurar outros candidatos e buscar apoio, em vez de esperar que outros venham lhe beijar a mão. Bolsonaro chegou a posar numa foto, no hospital, sem camisa, fazendo a barba, mas de modo a que a lâmina de barbear fotografada sobre os seus lábios parecia um bigode tipo Hitler. Duvido que isto tenha sido ao acaso, há um deboche implícito em tal gesto, e certamente foi proposital. Por fim, os programas de Bolsonaro e Haddad são claramente não democráticos, e ambos queriam, e felizmente voltaram atrás, criar uma outra Constituição. Ou seja, ambos queriam exercer a presidência, mas sem se submeter à atual Constituição, subvertendo o Estado de Direito.

Regimes autoritários vem se fortalecendo pelo mundo: Rússia, China, Coréia do Norte, Turquia e outros. A União Europeia vem sendo atacada pela extrema direita, que tem disputado eleições com força em países como Áustria, Bélgica, Holanda, Alemanha, França, Suécia e Itália. Polônia e Hungria tem boicotado a recepção da União Europeia aos imigrantes, e o Reino Unido votou o brexit. Trump eleito presidente dos EUA entornou o caldo, tratados internacionais vem sendo desfeitos ou boicotados, como o Nafta, o Tratado do Pacífico, o Tratado de Paris sobre o clima. A ONU está sendo enfraquecida, assim como a OTAN, os EUA não mais se arvoram a ditar a ordem mundial, o que aponta para uma “desordem mundial”, onde cada um, sob um viés nacionalista tenta tirar vantagens. E o pesadelo pode vir a acontecer, já que a 1ª e a 2ª guerras mundiais surgiram do nacionalismo europeu exacerbado, e a ONU foi criada para impedir uma reprise disto.

Voltando ao Brasil, o PT de Lula e Haddad são nacionalistas e estatistas, ao defenderem as grandes empresas estatais brasileiras, e ajudarem as grandes empresas privadas brasileiras a se projetarem mundialmente. Já Bolsonaro, ao menos no discurso, também é nacionalista e militarista, exalta a pátria e defende a volta da Educação Moral e Cívica. Mas seu privatismo ameaça vender aos estrangeiros todo o patrimônio e recursos naturais brasileiros, privatizando a Petrobrás e outras estatais de peso, permitindo a compra da Embraer, abrindo à concorrência internacional os recursos da Amazônia, etc.

Assim é que, no 2º turno da eleição presidencial, quase tanto faz em qual candidato se vota, pois suas práticas se assemelham, mesmo que tenham propostas diferentes. E nós, aqueles que queremos um mundo de união e fraternidade entre os povos, que queremos bem receber os imigrantes, ajudar os pobres, banir toda e qualquer discriminação de ideologia política, raça, credo e opção sexual, nós que queremos um mundo de paz, em que todos sejam iguais e tenham suas liberdades e direitos garantidos, ficamos sem opção. Crendo ou não em Deus: que Deus nos ajude!

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2 Comments

  1. Daniel De Assis Trindade

    bravo!

  2. nauseaatomic

    aos poucos o autoritarismo esta sendo implantado no mundo, agora é a vez do brasil

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