Opinião Curta e Longa

O Leão nu

A grande imprensa está claramente favorecendo os interesses do mercado, ao insistir na necessidade da Reforma da Previdência ainda no Governo Temer, e por não dar destaque à notícia de que o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central no Governo Lula, e o Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, possuem dinheiro aplicados em fundos administrados por empresas de sociedade offshore (empresas de fachada) em paraísos fiscais. É um completo escárnio não se dar destaque a isto, pois o ministro Meirelles prega “moral de cuecas”, enquanto fala do déficit fiscal da Previdência e ele próprio é um sonegador de impostos. Como o chefão da Receita (quem monta no Leão), pode continuar a exercer seu cargo tendo não declarado o dinheiro que enviou ao exterior?

 

O controle da venda de armas

Já está virando rotina o absurdo número de mortos em massacres perpetrados por malucos armados nos EUA, e todos os argumentos a favor do direito ao uso de armas cai por terra quando se vê as estatísticas das mortes por armas de fogo nos países do 1º Mundo. Os EUA tem uma taxa de mortes de 10.54 por cada 100 habitantes, tendo 112.6 armas por cada 100 habitantes, enquanto o Japão tem apenas 0,6 armas por cada 100 habitantes, e registra um índice 0,0 (zero) de mortes por cada 100 habitantes, tendo a polícia japonesa disparado em todo o país apenas 6 tiros em todo o ano de 2015.

Os índices mais altos de mortes por armas de fogo estão entre os países pobres e em desenvolvimento, mesmo com baixos índices de armas por habitante. O Brasil, por exemplo, tem um índice de mortes de 21.2 por cada 100 habitantes tendo apenas 8 armas para cada 100 habitantes. Ou seja, como estampa a Gazeta do Povo: “com 10% das armas dos EUA, o Brasil tem uma taxa de homicídios por armas de fogo cinco vezes maior”. Cabe lembrar que a taxa de mortes por armas de fogo não inclui só homicídios, mas também suicídios e acidentes com armas.

O Brasil é extremamente violento, em 2016 foram mortas no país 7 pessoas por hora, totalizando 61.619 mortos, índice maior que o de mortes em muitas guerras, e até de mortos da bomba atômica de Hiroshima. O problema é que, apesar do número de armas ser pequeno, comparativamente a outros países, basicamente possui armas no Brasil apenas os bandidos e a polícia, os verdadeiros assassinos de nossos índices. Isto atesta a falência do Estado brasileiro em lidar com a violência. O Brasil não sabe ou não quer controlar verdadeiramente suas fronteiras, e erra ao ser tolerante com o crime organizado, que domina as nossas prisões, e vem ocupando e dominando cada vez mais territórios.

Por fim, sou a favor do controle da venda de armas e do desarmamento, mas ele precisa se dar também entre a bandidagem, senão os cidadãos de bem ficam à mercê da violência. Isto requer uma polícia menos violenta e melhor treinada e preparada, assim como uma justiça mais ágil e justa em relação aos mais pobres. Sem esquecer de uma política social inclusiva, que elimine a miséria e dê vida digna aos pobres, com saúde e educação públicas de qualidade, que permita a ascenção social dos desfavorecidos. Mas, acima de tudo, que ataque a semente da violência atendendo os menores abandonados e os meninos de rua, dando a estes opções de educação, esporte e cultura, que os afastem das drogas e do dinheiro fácil do narcotráfico.

 Os Partidos e a militância política

Estou, pela primeira vez na minha vida adulta, desfiliado de todos os partidos políticos. Sempre estive filiado a alguma legenda, crente de que, com minha participação política, poderia ajudar o meu país. E via em todos os partidos em que militei sempre um pequeno grupo de idealistas, como eu, que estavam ali para contribuir com o melhor. Porém, da década de 80 para cá parece que os corruptos, os fisiológicos, os aventureiros, tomaram de assalto todos os partidos, tanto à direita quanto à esquerda, apenas para atender aos seus interesses egoístas e escusos. O enfraquecimento dos partidos coincidiu com o enfraquecimento dos sindicatos e dos movimentos de rua. Hoje quando se sai às ruas, sempre um grupo de baderneiros se coloca na vanguarda, pondo literalmente “fogo no circo”, assim esvaziando as ruas da massa de militantes cidadãos comuns, famílias, profissionais em geral, etc.

Mas no Brasil de hoje, a Lavajato mostrou que a corrupção atingia praticamente todos os grandes partidos e estava entranhada na máquina pública, trazendo um imenso descrédito a todos os políticos e partidos. Além disto, os movimentos mais recentes do Congresso Nacional, votando o impeachment da presidente Dilma, a não investigação por crime do presidente Temer e seus ministros, o não afastamento do Senado do senador Aécio Neves, e tudo isto votado na base da negociata – cargos e verbas em troca de apoio – sepultou de vez qualquer resquício de credibilidade dos atuais senadores e deputados. Alie-se a isto a aprovação por este Governo (ilegítimo para fazer reformas, já que o presidente Temer era vice da ex-presidente Dilma, que tinha outras propostas e outro plano de governo) da Reforma Trabalhista, sem debater suficientemente com os trabalhadores, seus sindicatos e centrais, e a defesa de uma Reforma da Previdência, sem dar espaço de um verdadeiro debate sobre o tema com a sociedade, com tudo isto o descrédito com os políticos ultrapassou todos os limites imaginados.

Assim, sem partido, hoje sou livre para votar em 2018, em um partido que não tenha sido denunciado na Lavajato, que não tenha votado a favor do presidente Temer, que não tenha deputados nas bancadas ruralistas, evangélica e das armas, que não coloque os interesses do mercado acima dos interesses sociais, que não defenda um regime comunista caquético e ultrapassado, enfim, num partido que defenda os mais pobres e o meio ambiente com propostas viáveis de crescimento e desenvolvimento econômico e social. Só espero que este partido exista, e que ele tenha um candidato viável!

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