O PT e o apoio ao Lula

O PT decidiu politizar o julgamento do Lula, e precisava passar a impressão de que o ex-presidente tem massivo apoio popular. Como o julgamento em segunda instância está se dando, neste instante, em Porto Alegre, era preciso atos políticos na cidade em apoio ao Lula. Mas Porto Alegre, que já foi capital do PT em sucessivos mandatos, hoje tem um prefeito eleito antipetista, o que não garantiria gente nos atos da cidade. Solução: trazer gente de fora. Mas como seria difícil e caro mobilizar apoiadores de outras cidades, o PT mostrou-se criativo. Porto Alegre sediou encontro do Fórum Social Mundial, com eventos paralelos, como um sobre Previdência, outro sobre feminismo e questões de gênero, etc. Ou seja, muitos vereadores e servidores públicos de municípios puderam se afastar com viagens pagas pelos cofres públicos, em tese para algum encontro, mas também para apoiar Lula. Movimentos sociais que também acorreram à cidade, como Via Campesina, financiaram seus deslocamentos. Consequência: Dilma teve palanque entre as mulheres para dar apoio ao seu ex-chefe, Lula teve palanque na esquina democrática (local escolhido pelo PT quando não garante presença de grande público, pois nele a multidão parece maior devido ao exíguo espaço) e os sem terra preencheram as ruas em deslocamentos pela cidade, e o PT não gastou muito com tais eventos. Tudo legal, porém imoral.

É claro que os antipetistas, reunidos no Parcão da cidade tampouco eram muitos, eram literalmente meia dúzia de gatos pingados. O que significa isto? Certamente que o PT perdeu grande parte de sua base de apoio, que o lulismo encolheu, e que a massa está apática, e nada fará independentemente de Lula ser ou não condenado, ser ou não candidato. Este descrédito de todos os partidos e políticos é ruim, pois abre espaço para os oportunistas de última hora, e é nestes momentos que os extremos enlouquecidos, quer de direita ou de esquerda, avançam. É pena que as opiniões estejam divididas entre “petralhas” e “coxinhas” e que o ódio impere na internet, isto contribuiu para o empobrecimento do debate político. É claro também que Lula representa um contraponto aos absurdos de Temer contra os trabalhadores e o povão, mas o Lula que conhecemos como governante navegou numa maré favorável da economia mundial e hoje a realidade econômica é outra. Como seria Lula como administrador de uma economia no vermelho? De qualquer forma, Lula não aplicou a mesma política econômica de Dilma, por isto o lulismo não se confunde completamente com o PT. Entretanto, o Governo Lula tinha como base de apoio toda uma gangue que hoje está na cadeia ou em vias de vir a ser presa. Que base de apoio teria um Lula reeleito em 2018, candidato de um PT encolhido e desmoralizado?

Vi a lista de pré-candidatos à presidência, é imensa, com nomes desconhecidos do público, lançados por siglas também desconhecidas. Imaginei um debate com dezenas de candidatos: seria um circo. Isto nos deixa mais vulneráveis à mídia, já que é ela e as pesquisas de opinião que irão, aos poucos, filtrando os que estarão disputando para valer. E assim a opinião pública continuará a ser “manipulada” até certo ponto, isto porque o povo pode ser ignorante (literalmente), mas não é burro, sabe perceber as mentiras que irão prejudicá-lo, como ficou demonstrado com a campanha publicitária mentirosa do Governo Temer a favor da Reforma da Previdência. Em suma, tenho esperanças de que os brasileiros saibam votar neste ano, melhor do que já votaram no passado. E que políticos honestos e bem-intencionados sejam eleitos. Que a justiça continue dando a sua contribuição à democracia brasileira, prendendo os corruptos, independentemente de que partido sejam. E que o julgamento do Lula sirva para sedimentar a ideia de que ninguém está acima da lei, e que todos devem ser iguais perante ela.

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