O planeta Terra e os humanos

 

Mantenho, um tanto a contragosto, um debate interno e com meus amigos, sobre se o mundo melhora ou piora. E, otimista que sempre fui, estou perdendo o debate para mim mesmo, já que estou, cada vez mais, me inclinando para o pessimismo. Porém, no fundo acho que este debate é descartável, porque não interessa se o mundo melhora ou piora, já que o bem e o mal se alternam no tempo, embaralhando as causas e as consequências. Não interessa para onde vamos, já que não sairemos do momento presente e de nossa atual circunstância. Importa sim é o que estamos fazendo hoje, agora e aqui. Eu, por exemplo, gostaria de melhorar o mundo e enriquecer o futuro dele, mas não contribuir para piorar as coisas já é uma contribuição importante. Considerando um planeta Terra com limitações geográficas e climáticas, com recursos naturais escassos, muitas vezes apenas existir já é um mal em si, pois para viver consumimos água e nutrientes, e produzimos lixo. Que fazer para não impactar o meio? Só há uma resposta: impactar minimamente, dentro do possível, e trabalhar para consertar os estragos já feitos. Mas meu pessimismo é mais em relação aos homens que em relação ao meio ambiente circundante. São as pessoas que se mostram ignorantes e de má índole, reticentes em reconhecer suas parcelas de culpa e responsabilidade. E quando leio sobre Trump e Putin, Kim Jong-un e Maduro, Israel e os palestinos, os suprematistas brancos e os defensores das armas nos EUA, sobre o Brasil e a Lava-jato, sobre Lula e Bolsonaro, sobre a violência e o crime organizado, enfim, não faltam fatos e personagens que nos apontem o abismo.

Entretanto, é natural que ocorram terremotos periódicos, que temporadas de tornados ocorram todos os anos, que vulcões explodam, e nem por isto iremos desaparecer da superfície deste planetinha azul. Mas não é natural fazermos guerras e matarmos nelas crianças inocentes, é antinatural fabricarmos mísseis e bombas, armas automáticas, bacteriológicas e químicas. Se o mundo é a nossa casa, e todos somos iguais, por que não logramos viver em paz nos ajudando uns aos outros? E não é preciso Jesus ou Buda para tanto, basta eu e você, cada um fazendo a sua parte, por menor que seja, por insignificante que pareça.

Parece absurdo que tenhamos progredido tanto sem avançarmos quase nada em nossa humanidade. Que logremos uma ciência avançada e uma tecnologia capaz de produzir coisas milagrosas, mas que não saibamos como eliminar a pobreza e a miséria. Que vivamos um consumismo antiecológico e uma ganância capitalista selvagem. Que sejamos egoístas, a ponto de repudiarmos os deserdados, expulsos de suas casas pela guerra e pela fome. Não parece racional uns se acharem mais que os outros, quererem se armar uns contra os demais, defenderem a guerra e pregarem o ódio, em vez do amor e da paz. Que humanos desumanos são estes que, como animais, se deixam levar pelos instintos? Que humanos são estes que, qual demônios, são capazes de violências atrozes, movidos apenas pela animalidade?

Quisera ser otimista para todo o sempre, crente de que avançamos para o melhor dos mundos. Mas preciso que me ajudem nesta empreitada, porquanto está cada vez mais difícil sobreviver sem sobressaltos, viver em paz e habitar ninhos de amor. A solidariedade e o altruísmo ainda existem. A bondade não morreu. Mas o bem precisa urgentemente se espraiar, de modo que, pela educação e a transmissão de sólidos valores morais, seja normal e corriqueiro ser honesto, seja natural ser amoroso e solidário, seja comum cada um cuidar de preservar a natureza em nosso planeta. É fácil, é só ser humano, no sentido de superação da animalidade. É só termos humanidade, no sentido de nos sentirmos partes de um todo que inclui todos. De modo a percebermos que, só seremos felizes se fizermos felizes os que nos rodeiam, só seremos felizes se incluirmos os demais em nossos projetos e desejos. Ah, que debate bom este, em que se digladiam o bem e o mal dentro de nós, de um lado o futuro que queremos para os nossos netos, de outro um amanhã sombrio, fruto de nossos erros e omissões.

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