O clã Bolsonaro e a bandidagem

Causa espanto que com Bolsonaro, sua família, seu partido e seu Governo, esteja acontecendo o que já aconteceu com Collor de Mello e o PT. Ou seja, ganha-se a eleição com um discurso anticorrupção e, pouco tempo depois, começam a aparecer fatos que demonstram que os eleitores foram ludibriados. Está na mídia:

  1. O deputado Onix Lorenzoni, que já admitiu ter recebido caixa 2 da JBS, e está hoje chefe da Casa Civil do Governo Bolsonaro, pagou, através de seu Gabinete, R$ 492 mil a empresas de contabilidade e consultoria tributária de seu amigo e filiado ao DEM, Cesar A. F. Marques. A Prefeitura de Porto Alegre e o Conselho Regional de Contabilidade estão fazendo uma auditoria nas empresas de Marques: Office RS Consultoria Sociedade Simples Ltda.
  2. ​O deputado Luciano Bivar (PE), presidente do PSL (partido do presidente Bolsonaro), recém-eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018. Maria de Lourdes Paixão, que concorreu a deputada federal e fez apenas 274 votos, foi a terceira mais beneficiada com recursos do PSL, mais que Joice Hassemann de SP que fez mais de 1 milhão de votos.
  3. Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro e ex-militar, é apontado em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como tendo realizado “movimentações atípicas” de R$ 1,2 milhão em sua conta, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, quando atuava como motorista e assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
  4. Fabrício Queiroz, recebia em suas contas dinheiro de depósitos efetuados por nove assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro em dias de pagamento da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Suspeita-se que Queiroz seria uma espécie de “laranja” responsável pelo recolhimento de parte dos salários desses assessores, que depois eram encaminhados à família Bolsonaro.
  5. Amigo da família Bolsonaro há mais de 20 anos, Queiroz depositou R$ 24 mil reais na conta da 1ª dama Michelle Bolsonaro, segundo o presidente, como pagamento de um empréstimo que o presidente havia lhe feito. Supõe-se que só se empresta dinheiro a amigos muito amigos, gente em quem se confia.
  6. Flávio Bolsonaro, como deputado, inúmeras vezes homenageou milicianos. Em 2003 homenageou Nóbrega, chefe da milícia do Rio das Pedras. Em 2004 homenageou Ronald Paulo Alves, apontado como autor de uma chacina que matou 5 jovens em São João do Meriti (Baixada Fluminense).
  7. Flávio Bolsonaro, por indicação de seu ex-assessor Queiroz, por 10 anos empregou a mãe e a mulher de capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, denunciado na Operação Intocáveis por crimes de grilagem de terras e formação de milícia na comunidade de Rio das Pedras, onde Queiroz se refugiou quando sentiu-se acuado pela imprensa.
  8. O PM Adriano da Nóbrega, miliciano atualmente foragido, está sendo investigado também por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco.                                                                                                                                                                                                                                                                Tudo indica que Fabrício Queiroz é um braço na política das milícias da Baixada Fluminense, o que leva a supor que Flávio Bolsonaro e sua família recebiam, não só dinheiro de assessores, mas também contribuições de milicianos. O clã Bolsonaro ganhou a eleição com um discurso contra a corrupção e a bandidagem, e hoje se vê envolvido com ambos. “Diga-me com quem andas que te direi quem és” ensinavam os antigos. Lula andava com bilionários, a quem achacava. Mas o clã Bolsonaro anda com assassinos que usavam farda e, a meu ver, ser mafioso é pior que ser corrupto.

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