Natal

            Apesar de parecer piegas, é hora de desejar a todos: Feliz Natal e Próspero Ano Novo! As festas religiosas com o tempo vão mudando de sentido e significado. Em 23 de dezembro é solstício, a entrada do verão no hemisfério sul. Na antiguidade, antes de Cristo, se comemorava o solstício, ou seja, a entrada do Sol no signo de Capricórnio, o signo do Messias pois, se as almas vinham ao mundo pela porta do signo de Câncer, os avatares de Deus vinham por Capricórnio. Jesus nasceu, provavelmente no solstício, iniciando a Era de Peixes, símbolo inicial do cristianismo, depois substituído pela Cruz. Assim, crer (Peixes) em Jesus como Messias (Capricórnio) era o Natal, comemorado como o nascimento da Luz, da Liberdade e da Vida Eterna. E, devido à precessão dos equinócios, o próprio solstício progride um grau a cada setenta e dois anos, e como o Sol percorre em média um grau por dia, fez-se a correção anos depois, deslocando a festa para 25 de dezembro, data em que permaneceu até hoje.

             Em outras palavras, na tradição ocidental Natal é a comemoração do nascimento de Jesus, o libertador dos homens frente à escravidão do pecado. Portanto, deveria ser um momento de purificação, expiação, iniciação e regozijo, em suma, de oração, jejum e introspecção. Porém, pelo contrário, nossa sociedade capitalista e consumista transformou o Natal numa orgia de compras, comilanças e bebedeiras, anulando a sua dimensão religiosa. Vamos às compras, enfrentamos filas, tumulto, correrias, mais compras, dívidas, mais stress, pois o Natal é, neste caso, apenas um pretexto de vendas.

            Mesmo assim, Natal é um momento de reunir-se em família, de estar com as pessoas que amamos, já que o cristianismo tem no amor o seu cerne. Natal é perdão de dívidas, perdão de si mesmo por culpas passadas, é guardar a crítica e exercitar a tolerância. No ocidente as pessoas amam o Natal, apesar de haver aqueles que o odeiam. Odeia o Natal quem não tem família unida e em paz, quem não tem a seu lado a pessoa amada, quem se sente sozinho e infeliz ao ver os demais felizes.

            Gostaria que os casais brigados se reconciliassem, que os doentes recuperassem a saúde, e que os desesperados readquirissem a esperança e a fé. Mas em nossa época votos assim podem parecer algo brega. Porém, prefiro ser brega com paz e amor, que descolado em meio à guerra e ao tumulto. Que todos tenham bons momentos em companhia das pessoas que amam, ou mesmo que, sem amar, aprendam ao menos a querer bem de modo mais compassivo e cristão. Enfim, desejo a vocês: Feliz Natal!

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