MUSEU EM TRANSFORMAÇÃO

A obra MUSEU EM TRANSFORMAÇÃO trata das novas identidades e funções dos diferentes tipos de museus e as estratégias de relação com o público. Ela em verdade é uma publicação resultante de um Seminário Internacional que teve lugar no Museu da República, do Rio de Janeiro, 11 a 15 de setembro de 1996, e que foi promovido pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN do Ministério da Cultura, em colaboração com o Departamento de Arte da UFF. Tal Seminário Internacional contou com a participação de muitos norte-americanos e, dentre eles, Brenda Baker, a museóloga e artista plástica que , em conjunto com Antônio Henriques, desenvolveu o Projeto Gralha Azul, uma parceria internacional entre o Museu de Arte do RS e o Madison Children’s Museum do Estado de Wisconsin – USA, patrocinado pela American Association of Museums. No Seminário, Henriques e Brenda apresentaram o subtema: “Museu em Transformação: Projeto Gralha Azul (uma parceria internacional de museus)” em que expõem o cerne do projeto, envolvendo arte, ecologia, visita de crianças em museus e museografia voltada à comunicação infantil.

LEIA UM TRECHO

          – INTRODUÇÃO:

          A resposta à questão – o que é um museu e qual sua função? – continua sendo aquela que estabelece a coluna vertebral em torno da qual se ergue e se desenvolve o trabalho de um museu. O museu, como instituição ou conceito, transformou-se no decorrer do tempo, resumindo períodos da história da humanidade. Na museologia trata-se de museus falando-se de uma coleção, de um prédio, de um pessoal e de um público, o que vem sendo repensado através das concepções de museus comunitários, museus da criança, ecomuseus, etc. Mesmo num grande museu público, com acervo tombado pelo patrimônio nacional, estadual ou municipal, pode-se evitar a museologia tradicional que fecha, esteriliza e mata a coleção através de uma museografia que se volta para o conteúdo das exposições e não para a sua dimensão social. É preciso evitar que os técnicos responsáveis pelos museus trabalhem para a instituição e não para o público, esquecendo o objetivo final de seu trabalho. Pensar no futuro das instituições museológicas é de um lado romper com a museologia tradicional, que está em crise, e de outro investir na relação público-museu, no em torno social-comunitário, revisando a tarefa educativa dos museus. Encarar a crise dos museus é reconhecer o fechamento institucional sobre si mesmo, a falta de público, a linguagem museográfica que não se comunica adequadamente, a carência da participação comunitária, a não inserção na realidade social, a rigidez das estruturas burocráticas e administrativas, o transtorno da instabilidade e descontinuidade dos interesses políticos na administração da cultura, o distanciamento da pesquisa de enfoque excessivamente acadêmico, o caráter intemporal e sacralizado da museografia tradicional que não consegue romper os limites das salas de exposição e seus espaços rígidos, abrindo-se a uma leitura crítica e dinâmica da realidade, e permitindo ao público sua expressão livre e espontânea.

          Os museus da criança (hands-on museums) são parte de uma nova revisão da museografia tradicional, enquanto passam a ser chamados de museus instituições com prédio, pessoal técnico, um público específico, mas sem coleção, entendendo-se um acervo de valor patrimonial a ser tombado e preservado. São museus porque informam e ensinam indutivamente, a partir de objetos, do concreto, indo portanto, do efeito à causa, e não o contrário. E como não possuem acervo a ser preservado substituem a expressão “não toque” pela expressão “por favor, toque” ou “é proibido não tocar”. Em função desta especificidade e de seu público infantil, em idade escolar ou não, os museus da criança enriquecem o processo ensino-aprendizagem através do uso e da conscientização do objeto cultural como fonte primária de ensino, integrando de modo especial museu e escolas. E, talvez mais importante que o fato de existirem museus da criança seja a influência que estes vêem exercendo sobre os museus tradicionais. Estão surgindo por toda a parte exposições interativas, as vitrines estão sendo transformadas em espaços abertos, constroem-se cenários dentro dos quais o público circula, ao lado daquele acervo que não pode ser tocado estão sendo colocadas réplicas ou peças contemporâneas similares tocáveis, além de expor o objeto está se explorando suas variáveis, contexto e significado social ou científico. E isto é o que mais nos interessa: contribuir para a renovação da museologia tradicional através da ênfase dada ao público em geral (incluindo o infantil), sua participação e educação, assim como ao aspecto lúdico do contato deste com o Museu.

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