Em quem votar nas próximas eleições?

             O artigo que se segue é um artigo de opinião, portanto, não é isento ou faz uma análise neutra. Mas, ao dar minha opinião, talvez ajude um pouco os indecisos. Primeiro, cabe ser racional e não emocional quando se vota. Daí que de saída irei descartar todos os candidatos que, pelas pesquisas e outros quesitos, como tamanho de seus partidos e representatividade de seus candidatos, certamente não chegarão ao segundo turno: Álvaro Dias, João Almoedo, Henriques Meirelles, Vera, Cabo Daciolo, Guilherme Boulos, João Goulart Filho e Eymael. Portanto, não comentarei estes, apesar de alguns serem representantes de partidos autênticos, como Boulos do PSol, ou de forças políticas hegemônicas, como Meirelles do MDB. E apesar de encontrarmos, dentre estes, propostas importantes e interessantes, como a defesa da auditoria da dívida pública feita pelo João Goulart Filho – PPL. Segundo, deixarei de fora também comentários relativos à lisura dos candidatos e seus partidos, pois muitos estão enrolados na Lava Jato e outras investigações de corrupção. E, se formos descartar os partidos sem mácula, todos os grandes teriam de ser descartados, deixando os eleitores praticamente sem opção. É claro que se pode optar, quanto à corrupção, pela redução de danos, ou seja, descartar os partidos que mais foram atingidos pelos escândalos, e eles são, sem dúvida, o PT, o MDB, o PP e o PSDB.

Os candidatos competitivos são: Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Marina Silva, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad. Pelas pesquisas atuais, Jair Bolsonaro está consolidado na liderança, devendo disputar o segundo turno com um dentre os demais candidatos citados que, entre eles, disputam a segunda vaga. O atentado que Bolsonaro sofreu terminou por favorece-lo, já que após o mesmo, o candidato cresceu nas pesquisas, devido à mídia gratuita que recebeu. Conforme minha opinião, dentre tais candidatos, com chances de chegarem ao segundo turno, Alckmin representa a direita liberal (apesar do PSDB ter surgido como um partido de centro-esquerda). Como Bolsonaro é, no dizer de Ciro, “um hitlerzinho” tupiniquim, portanto, um candidato de extrema direita, sua eleição representaria um risco à nossa democracia, além de representar um retrocesso imenso na área trabalhista, social e de direitos humanos e costumes. Bolsonaro e Alckmin no segundo turno fariam a esquerda entrar em crise, pois esta teria de votar no candidato da direita liberal para afastar o fantasma do fascismo. Como Alkmin defende o corte de gastos e a responsabilidade fiscal, dificilmente tiraria a economia brasileira do atoleiro em que está, pois países que adotaram esta opção terminaram por aprofundar suas crises, como a Argentina. A direita liberal, mesmo quando promove o desenvolvimento econômico com empregos, o faz com concentração de renda, o que no Brasil seria um desastre, considerando que, segundo o IBGE, seis em cada dez jovens vivem na pobreza. Sem retirar os jovens da pobreza, dando-lhes educação, saúde e emprego, o problema da segurança não será resolvido. Se propostas, como a de Bolsonaro, de armar a população, vingassem, Bolsonaro não seria candidato, pois seu agressor o teria metralhado e não esfaqueado. O nosso desenvolvimento econômico, obrigatoriamente, deve passar pelo desenvolvimento social, só cresceremos com distribuição de renda.

O período Lula, de bonança econômica, implicou numa social democracia torta, pois o Governo na época tirou da classe média para dar aos pobres, daí o apoio que o PT tinha dos mais pobres e dos mais ricos. Haddad, como representa Lula, faria o mesmo, ou pior, se fosse reeditar o período Dilma, de má gestão na economia e desastre econômico, herdado por seu vice: Temer. Daí que, somente Ciro defende uma social democracia efetiva, retirando dos mais ricos para dar aos pobres que, sem mais estarem negativados no SPC e SERASA, ganhariam poder de compra, reativando a economia. É claro que investimentos estatais, após resolvido o déficit do Estado, com crescimento de arrecadação e não cortes, e com o apoio à inovação e à ciência e novas tecnologias, dariam o complemento para a retomada do desenvolvimento. Além do compromisso, assumido pelo candidato, de refazer o Pacto Federativo, fortalecendo financeiramente os Estados e Municípios, algo fundamental para estancar a crise.

Marina tem propostas semelhantes às de Ciro, critica como ele a reforma trabalhista e a PEC de teto de gastos, de Temer. Dá destaque ao meio ambiente e ao direito das mulheres, mas se aproxima mais da direita liberal, ao propor reforma da Previdência e defender uma privatização restrita, e propor aumento de arrecadação, mas sem alusão a uma maior taxação dos mais ricos. E Marina tem, como ponto fraco, a questão religiosa, que lhe faz ser contra a legalização do aborto e ter dificuldades com os direitos LGBT.

E ainda, Haddad, nas simulações de segundo turno, tende a empatar com Bolsonaro, se for ele a disputar com o fascista, devido ao fato de a rejeição de Bolsonaro e do PT serem altíssimas. Assim, o voto anti Bolsonaro descartaria o PT do segundo turno, e também Alkmin, por ser direita. Ou seja, seria mais garantida a vitória da esquerda num segundo turno contra Bolsonaro, o que aponta para Ciro ou Marina. Marina pegaria mais votos de Alkmin que Ciro, que por sua vez, tende a pegar mais votos de Haddad e do restante da esquerda. Minha opção será sempre de centro esquerda e, por enquanto, nestas eleições, pretendo votar em Ciro Gomes, ele se sai bem no embate com Bolsonaro, terá mais jogo de cintura para lidar com o Congresso que Marina, e parece estar melhor preparado para ser o futuro presidente do Brasil.

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