Bolsonaro e a estratégia das abobrinhas

O colunista Bruno Boghossian acertadamente aponta que “Bolsonaro quer consertar a geladeira enquanto a casa pega fogo”, ou seja, quer administrar picuinhas e não o essencial. A economia patina, a renda cai, em janeiro e fevereiro as pessoas compraram 5,2% a menos de itens básicos, a taxa de desemprego é mais que o dobro da média mundial (12,5% em 2018), o Brasil é o 9º país mais desigual do planeta, o meio ambiente se deteriora a olhos vistos, enquanto vemos ações do presidente como:

1.     Extinguir o horário de verão;

2.     Censurar (inconstitucionalmente) uma peça publicitária do Banco do Brasil por abordar a

diversidade,  público-alvo da propaganda;

3.     Retirar os Cursos de Sociologia e Filosofia das Universidades Federais e dos auxílios de pesquisa do

CNPQ e CAPES;

4.     Atenuar a infração aos motoristas infratores;

5.     Criticar o carnaval com postagem de pornografia na internet;

6.     Defender questões teóricas e históricas irrelevantes hoje, contra o consenso acadêmico e científico,

ridicularizando o cargo que ocupa;

7.     Pedir aos militares a comemoração do Golpe Militar de 1964;

8.     Fazer declarações contra a presença de turistas gays no Brasil;

9.     Uso de uma camiseta falsificada do Palmeiras em reunião de Governo em Brasília;

10.  Presidente vai ao cinema em meio a uma crise política;

11.  Presidente tem multa do Ibama anulada com a demissão do funcionário que o multou;

12.  Comprar brigas desnecessárias com os nossos maiores parceiros comerciais, como a China e o mundo

árabe; etc.

Só os ministros de Bolsonaro conseguem fazer declarações ou atos tão ou mais polêmicos que os do presidente. E muitas declarações, propostas e ações do presidente e seus ministros ferem a nossa Constituição e possuem o ranço do autoritarismo. Estamos sendo governados por bobos amalucados, mas extremamente perigosos devido a isso. Ir na contramão do politicamente correto é tornar o Brasil um país pária diante da ONU e do mundo, e as piores consequências disto serão colhidas pelo nosso povo mais pobre.

Eu, como filósofo que sou, me reportando a Aristóteles, digo que, quando não filosofamos o fazemos em nome de alguma filosofia, portanto, quer queiramos ou não, filosofamos. Ou seja, para o Governo a filosofia não dá retorno à sociedade, não rende emprego e impostos, por isto quem quiser estudá-la que o faça pagando. Em outras palavras, para o Governo só uma “filosofia” serve, a do “filósofo” Olavo de Carvalho, o resto é marxismo. Tal pensamento não promove o diálogo nem admite o contraditório, o que é uma postura antifilosófica. É fácil adotar a estratégia de desqualificar o adversário em vez de debater em torno de ideias. A filosofia é fundamental em termos de formação humana, sua função básica na escola é dar autonomia de pensamento e consciência aos alunos, sem o qual não teremos cidadãos no país. Sem filosofia não há como ter uma visão de totalidade, sem a qual seremos meros especialistas bitolados ou operários de ofícios na alienação.

Cada declaração e ação das acima citadas mereceriam comentários sarcásticos e certeiros, mas cairíamos na tentação do Governo, de dar visibilidade ao que não é importante para que o essencial seja em parte esquecido e não ganhe destaque. Tais polêmica também aquietam a oposição, que desaparece da mídia política, ocupada em veicular abobrinhas e bobagens. E, mais uma vez, quem sai perdendo com o fracasso do Governo e tudo isto somos nós, os brasileiros.

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