ALTERNATIVAS NO ESPAÇO PSI

A obra coletiva ALTERNATIVAS NO ESPAÇO PSI em verdade são os anais do I Simpósio de mesmo nome, que teve lugar em Porto alegre em 1981. Os capítulos do livro são o resultado de conferências, mesas redondas e debates ocorridos no Simpósio. Antônio Henriques ministrou nele uma conferência sobre “Psicologia no Pensamento Oriental”, posteriormente reeditado pela Editora espiritualista FEEU.

LEIA UM TRECHO

(…) Temos assim duas dimensões do eu: um ego completamente envolvido com o mundo, que age, deseja e pensa, e um outro eu que não pensa, que não quer, que não possui nenhum referencial concreto de mundo. Essa divisão é aparentemente patológica. Laing em “O Eu Dividido” diz da existência do eu encarnado e do eu não encarnado. Escreve que o comportamento esquizóide separa o eu em dois: existe um eu que é o mundo subjetivo e outro que é o mundo objetivo, no sentido de que uma coisa é o que eu faço e outra o que eu quero fazer. Uma coisa é o que eu demonstro que sinto e outra o que realmente sinto, uma coisa é o que eu demonstro que penso, outra o que realmente eu penso. Laing toma isto como uma patologia, como a raiz de todas as psicoses. Esta divisão entre eu encarnado (concreto) e eu não encarnado (transcendental) é a mesma que faz o Yoga, embora não seja exatamente igual, há uma identidade aparente. Não é igual porque a divisão eu encarnado e eu não encarnado em Laing é uma divisão também em termos de desejo, o meu querer se bifurca em ato e vontade. No Yoga não, aquilo que eu faço vem do falso eu, como em Laing, mas o verdadeiro eu não é aquilo que eu quero fazer. No Yoga, o verdadeiro eu não quer, não deseja, não pensa, não age, não participa. A repressão dos processos mentais significa que para progredir dentro do Yoga é preciso fazer com que o eu transcendental (que não age, não pensa, não participa) se manifeste no sentido de dominar a vida psíquica. No fundo, a psicologia oriental é o contrário da ocidental. No ocidente a psicologia privilegia o ego, a consciência, a reflexão, privilegia toda a relação da subjetividade com o mundo concreto. Ou seja, a consciência domina o inconsciente, o eu domina tudo aquilo que seriam as tendências latentes dentro da subjetividade. Enquanto que a psicologia oriental, de certa forma, privilegia muito mais o pano de fundo, o inconsciente e não a consciência, privilegia muito mais aquele eu que não age, não aparece, não quer, não se envolve, do que aquele que aparece, age, pensa e quer. Nós, ocidentais, temos um certo conceito de saúde mental a partir daquilo que tem a ver com a objetividade. Quando isto predomina, existe saúde mental. No pensamento oriental não, o homem plenamente desenvolvido e lúcido é completamente regido pelo mundo interior, regido por aquilo que no ocidente nós tentamos condicionar e manter sob controle. (…)

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