A Derrota das Esquerdas

             O Brasil está seguindo uma tendência latino-americana de guinada à direita. Nas últimas eleições municipais erraram os petistas, como Lula, que achavam que o PT seria bem votado, em função dos baixos índices de aprovação do Temer. Mas também erraram os que pensaram que outros partidos à esquerda seriam herdeiros dos antigos votos petistas, agora perdidos com o desgaste do Mensalão, da Lava-Jato e da crise econômica do Governo Dilma. O PSol, a Rede, o PC do B, o PSB e outros não se mostraram aptos e fortes em receber tais votos. E, em consequência, ganhou a direita neoliberal, os conservadores e os liberais progressistas, com o PSDB, o PMDB, o PRB, o PP, o DEM, o PSD e outros. Com isso, ganhou o Governo Temer, que indiretamente legitimou nas urnas o impeachment da Diulma e as propostas de reforma. O Brasil ganha e perde, porque realmente necessita de reformas, de mais confiabilidade e austeridade, porém, simultaneamente, carece também de não penalizar mais seus pobres, o que infelizmente virá a acontecer.

            Se os juízes, os militares e os políticos perderem, o povo aceitará melhor sua sina, pois todos querem dar um basta nos privilégios das elites. Mas, no frigir dos ovos, perderá mais quem menos tem.

            As urnas, apesar disto, deram um recado à “classe política”, com o número espantoso de abstenções e votos brancos e nulos, e com a penalização do PT, agora associado à corrupção. Ou seja, a ética ainda é uma bandeira valiosa, o que aponta para a necessidade de uma reforma política e de mudança no nosso sistema eleitoral.

            De outro lado, a vitória da direita diz que o povo quer mais competência, profissionalismo e eficiência, portanto, menos demagogia, paternalismo e clientelismo. É como se olhássemos os países ricos e liberais e quiséssemos ser como eles, portanto, dispostos a trabalhar em prol do futuro, fazendo o dever de casa e aceitando a meritocracia. É como se quiséssemos abandonar o patrimonialismo, deixando o “jeitinho brasileiro” para trás, já que ele suoõe a figura do “pistolão”, que é uma forma de tráfico de influência.

            Mas ninguém está otimista, estamos todos mais realistas, e alguns ainda pessimistas e descrentes. De um lado isto é bom, porque seremos daqui para a frente mais comedidos e prudentes. Mas é ruim sabermos que teremos ainda um longo tempo de sacrifício, pois a luz no final do túnel, por enquanto é apenas imaginada, não passa de promessa.

            Teremos um 2017 ainda no vermelho, ainda pobres, preocupados, contabilizando perdas. Só provavelmente a economia parará de afundar e estabilizará, preparando uma lenta recuperação. Acredito que todos os males venham para o bem, que o Yin no seu máximo se transforme em Yang, e que assim, ao final, teremos um país melhor. E, o que é melhor, seremos melhores com ele.

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