A Absurda Sustentação de Temer

            A atitude de Temer de não renunciar, apesar da torrente de denúncias que se avolumam contra ele e seus ministros e assessores, alguns já presos, tem produzido uma situação insólita e absurda, por extrema culpa do PSDB. Todos sabem que se o PSDB desembarcasse do Governo Temer, muitos outros partidos o seguiriam, deixando Temer sem base de sustentação no Congresso Nacional. E por que o PSDB dá sustentação a este Governo do PMDB?

            O PSDB perdeu seu presidente e ex-candidato a presidente, Aécio Neves, morto politicamente. Serra se afastou por saúde, mas estava enrolado em denúncias. Geraldo Alckmin e FHC também terão também de se explicar. Por que então não ouvir as bases do partido, os tucanos jovens, que querem desembarcar do Governo Temer? A resposta é dupla: porque o PSDB tem pressa de fazer as reformas propostas por Temer, e porque acertou com os caciques do PMDB uma troca de apoios, os tucanos apoiam Temer e o PMDB apoiará o candidato do PSDB nas eleições de 2018, ou antes, se Temer cair e ocorrer eleição indireta. É óbvio que o PMDB não terá candidato, pois seus pesos pesados estão todos na cadeia ou denunciados.

            De outro lado, os indícios contra o presidente Temer já bastariam para afastá-lo da presidência se não houvesse um complô dos políticos contra a Lavajato, considerando que todos os maiores partidos nacionais estão com seus deputados e senadores sendo investigados, fora os já presos, como os ex-ministros da Fazenda do PT e seus tesoureiros. Daí que Temer aposta no apoio não só de sua quadrilha, como também das outras gangues de políticos, e não só de políticos, também conta com os ministros de tribunais superiores nomeados por ele, e de setores empresariais que pressionam pelas reformas que, todos sabem, penalizarão os mais pobres e os trabalhadores, daí o aplauso das elites.

            O próprio presidente Temer tem municiado as denúncias contra ele com a admissão de alguns fatos, como os encontros com Marcelo Odebrecht e com Joesley Batista. Sendo difícil explicar porque um presidente (ou vice no encontro com Oldebrecht) receberia um criminosos na calada da noite, prometendo a ele proteção em demandas com a indicação de um assessor de confiança flagrado com uma mala de dinheiro (obviamente endereçada ao se chefe Temer). E por que o vice-presidente Temer voaria com toda a sua família no avião particular da JBS, ou seja, do empresário bandido, fato este negado e depois confirmado pelo presidente, com a ressalva absurda de que ele não sabia de quem era o avião em que viajou. Tais indícios são mais que indícios, alguns fatos denunciados já produziram provas, como as notas fiscais do coronel João Baptista Lima Filho, que pagava as contas da família Temer, e que segundo delação da JBS (Ricardo Saud), recebeu em seu escritório propina de um milhão, como parte de um acerto com Temer de quinze milhões ao PMDB (um milhão para Temer).

            Apesar do excesso de provas comprovando que a chapa Dilma-Temer foi financiada com dinheiro das propinas da corrupção, em caixas 1, 2 e 3, o Tribunal Superior Eleitoral, ignorando a acusação do ministro relator, peça irretocável de fundamentação jurídica de culpabilidade, por um placar de 4 a 3 acabou por inocentar Temer. Dos que votaram a favor de Temer está dois ministros nomeados por ele e o voto de seu amigo pessoal Gilmar Mendes, presidente do tribunal. É um descalabro que um réu nomeie os juízes que irão julgá-lo, e que estes juízes não se julguem impedidos na ação, junto com quem é amigo do réu.

            No Brasil atual há um carnaval entre e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A justiça de um lado acusa, investiga e condena (o Ministério Público, o juiz Sergio Moro e o Procurador Geral da República), de outro inocenta (o TSE) ou libera (o STF), ou aceita suborno. O Legislativo ora afasta e cassa denunciados, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, ora conspira para anistiar ex-presidentes denunciados, descriminalizar o caixa 2 e dar novamente mandato a senador afastado pela justiça. O Executivo tem na presidência um Temer denunciado com provas por vários crimes, com vários assessores presos e ministros réus, mas que se recusa a renunciar, e que, apesar de tudo, ainda logra manter certos apoios: setores do Legislativo e do Judiciário, além de setores do empresariado.

            Pesquisa do IBOPE de março mostrava um presidente com índice de desconfiança de 79%. Um mês depois, a pesquisa Barômetro Político (da Ipsos) mostrou um presidente com aprovação de apenas 4% da população e com 75% de ruim e péssimo. A Datafolha encontrou uma rejeição de 94% da população, ou seja, é o pior índice mundial, incluindo os ditadores e os países em guerra. Temer não tem legitimidade para propor reformas que nunca defendeu em campanha eleitoral com Dilma Roussef, ou seja, para defender uma plataforma de governo contrária a que o elegeu vice-presidente e que o fez presidente. Dilma sofreu impeachment sem ser acusada de corrupção, cometeu apenas má gestão, agravando nossa crise econômica. Temer manter sustentação e apoio político no Congresso e no Judiciário é uma afronta e um acinte à opinião pública nacional, portanto, ao povo brasileiro, a todos nós. Basta de impunidade e de corrupção! Queremos verdadeira justiça, tanto jurídica, quanto econômica, política e social. É hora de um basta!

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