Os fins não justificam os meios: os caminhoneiros e o Brasil...

            Os caminhoneiros do Brasil decidiram parar, em protesto pelo preço excessivo do óleo diesel, pela volatilidade dos preços reajustados todo o dia segundo a cotação do dólar e do barril de petróleo, e pela cobrança de pedágio nas estradas de um terceiro eixo suspenso. E passamos a ver, por toda parte, manifestações de apoio aos caminhoneiros, e muitas outras categorias profissionais também protestaram: motoristas de aplicativos, de vans, petroleiros, motoboys, etc. Penso que grande parte deste apoio veio em função de alguns poucos fatores comuns: o desalento com os políticos mergulhados num mar de corrupção; o Governo fraco, impopular e terminal de Temer; a profunda crise econômica, com seus reflexos no desemprego, no empobrecimento da população e na precária situação dos serviços básicos sociais; e por fim a revolta contra ações e propostas...

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O Legado de Marx

Hoje, duzentos anos após o nascimento de Karl Marx, ainda cabe escrever sobre marxismo. Como escreveu Jean-Paul Sartre, “o marxismo é a cultura do século XX”, portanto, fica praticamente impossível compreender o século passado sem o referencial marxista. Mas não é só isto. Em pleno século XXI ainda o marxismo é um referencial, não só pela sobrevivência de comunistas de todos os matizes, ainda lutando contra o capitalismo e tentando a revolução sonhada; mas porque muitos conceitos de Marx, mesmo atualizados, não perderam de todo a sua pertinência e importância, ainda mais frente ao neoliberalismo e ao neofascismo contemporâneos. Isto sem falar de que o comunismo real sobrevive, de modo adaptado, alterado e até caricato, em países como Coréia do Norte, China, Cuba, Vietnã e Laos, e ainda vários países com governos comunistas, entre...

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Crise e Mudança

             Sempre há algo que, depois de um tempo, começa a incomodar, provocando uma crise, ou seja, um momento de questionamento. A seguir vem a tomada de decisão, ou melhor, a obrigatória atitude de fazer algo que mude o quadro. Em consequência, mudamos o nosso em torno, a nós mesmos, ou ambos. Sempre a crise precede a mudança, portanto, é positiva, no sentido de romper estruturas arcaicas, já carcomidas, e de fazer nascer o novo, independentemente de como seja. É bom mudar, nem que seja para quebrar a monotonia da mesmice. Mas as grandes crises provocam rompimentos, atritos, desgaste, stress, loucura, depressão, ataques de fúria, enfim, possuem um alto custo, de modo que nem sempre estamos dispostos a pagar o preço. Nesta lista estão nascimento e morte, casamento e separação, divórcio, novo emprego, demissão,...

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O planeta Terra e os humanos

  Mantenho, um tanto a contragosto, um debate interno e com meus amigos, sobre se o mundo melhora ou piora. E, otimista que sempre fui, estou perdendo o debate para mim mesmo, já que estou, cada vez mais, me inclinando para o pessimismo. Porém, no fundo acho que este debate é descartável, porque não interessa se o mundo melhora ou piora, já que o bem e o mal se alternam no tempo, embaralhando as causas e as consequências. Não interessa para onde vamos, já que não sairemos do momento presente e de nossa atual circunstância. Importa sim é o que estamos fazendo hoje, agora e aqui. Eu, por exemplo, gostaria de melhorar o mundo e enriquecer o futuro dele, mas não contribuir para piorar as coisas já é uma contribuição importante. Considerando um planeta...

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Amar e Servir

Todos nós deveríamos, em algum momento, exercer uma atividade que nos fizesse servir os outros. No poema “Tabacaria”, um heterônimo de Fernando Pessoa pensa que “se casasse com a filha da lavadeira, seria feliz”. Isto porque teria uma esposa que veria o mundo de modo simples, sem complicações. Talvez por isto sempre me senti atraído pelas garçonetes sorridentes. Se elas sorriem e estão felizes em serem gentis e servir, certamente saberão melhor amar a quem amam, e a se sentirem plenas com pouco, já que aparentam não serem afetadas por seus baixos salários. Quisera eu ser assim, satisfeito com o que tenho e recebo, grato com a oportunidade de fazer alguém sorrir e ser feliz, servindo. Que é o amor senão um tipo de serviço? Palavras lindas e poéticas não declaram um amor mais...

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Somos nosso inferno

Por que algumas pessoas não aprendem nada com a vida? Levam tombos, arrumam confusão, sofrem enormemente, e continuam iguais, cometendo os mesmos erros, e achando que os culpados são os outros. “O inferno são os outros” – escreveu Jean-Paul Sartre, talvez querendo dizer que os outros são realmente os culpados. Porém, segundo o meu entendimento, em geral as pessoas são as próprias culpadas de seus infortúnios. Com isto não estou ignorando que as escolhas erradas são, de alguma maneira, condicionadas pelas experiências passadas e pelo meio, ou seja, dependem em grande parte das condições de vida na infância. Mas não creio que o fator biológico (a herança genética) e o fator econômico sejam os mais determinantes de limitações de escolha. Acredito que pesam mais os fatores psicológicos e emocionais, porque uma família estruturada e...

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